Presença de urubus em áreas residenciais gera preocupação de moradores do Litoral Norte

Da Redação

Quem circula pelo Litoral Norte de São Paulo, mais precisamente pelas cidades de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, com certeza já se deparou com urubus nas praias e em áreas residenciais.

A cena que se repete dia a dia causa preocupação em alguns moradores, que temem pelo fato das aves mexerem nos lixos, espalharem os resíduos pelas ruas e estarem cada vez mais perto das pessoas. “Direto os urubus reviram os lixos que colocamos para os coletores recolherem, sujam a rua toda, realmente é um incômodo. Aqui no bairro isso é terrível, atrapalha muito. Tem muito urubu. Já chegaram até a defecarem na minha cabeça, quando estava passando de bicicleta”, comentou Raquel Ribeiro, moradora do Parque dos Ministérios, onde também se localiza o aterro sanitário desativado de Ubatuba, que hoje serve apenas para transbordo e triagem de material reciclado.

Assim como Ubatuba, moradores de Caraguá e São Sebastião também reclamam da presença da ave. “Moro no Canto do Mar e até a praia daqui é famosa pela quantidade de urubus. Nós mesmos do bairro chamamos de Praia do Urubu. São muitos, e quando os coletores de lixo passam em nossa rua, os urubus ‘fazem a festa’ espalhando tudo. E isso causa um pouco de revolta em nós moradores”, disse Aline Parise, moradora de São Sebastião.

Em relação a preocupação dos moradores sobre os problemas de saúde que o contato com os urubus pode gerar, o médico Alessandro Loiola, morador de Caraguá que trabalha na Unidade Básica de Saúde Santa Branca, tranquiliza a população e lembra que essa possibilidade é muito pequena. O potencial para transmissão de doenças existe, como Trichinella e Cryptosporidium e outras zoonoses aviárias, mas não existem muitos relatos médicos de doenças assim. Talvez, em situações de pobreza extrema, como pessoas que frequentam lixões, essas doenças possam ter alguma relevância. Contudo, de um modo geral, em ambientes urbanos os urubus são uma ‘praga’ inofensiva. Se os urubus estão aumentando, a única preocupação que isso traz é o fato de estarmos produzindo mais lixo e dando um destino inadequado a esses resíduos. Eles não são um problema: são o sintoma de um problema”, explicou o médico.

Urubus: transtornos ou agentes ecológicos?

Os urubus de cabeça preta (Coragyps atractus) são aves encontradas em toda América do Sul e, portanto, em todo território nacional.  Sua principal característica é ser um animal necrófago, ou seja, que se alimenta única e exclusivamente de bichos mortos, carne em decomposição e, em alguns casos, alimentos orgânicos degradados.

Por não possuírem um predador natural, os urubus, que vivem de 2 a 5 anos, estão no topo da cadeia animal, assim como águias, gaviões e falcões. Devido a essa questão e ao fato do aumento da quantidade de lixo orgânico gerado e armazenado inadequadamente em várias cidades, o número desses animais vem crescendo de maneira preocupante.

“Esses animais são protegidos pela Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1.998 – Lei de Crimes Ambientais Capítulo v – dos crimes contra o meio ambiente, Art. 32. É proibido praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, com pena de detenção, de três meses a um ano, e multa. Os urubus são essenciais para o meio ambiente, são os lixeiros ambientais da natureza, entretanto com o aumento da produção de lixo do ser humano a população desses animais está crescendo muito, e em algumas cidades eles estão até invadindo prédios”, alertou o biólogo, Randy Baldresca, Diretor Técnico da Biópolis Eco Controle de Pragas Urbanas.

Para o especialista, a melhor saída para o controle da população de urubus é a educação da população e o trabalho técnico e consciente dos órgãos públicos.  “Infelizmente, com as cidades cada vez mais sujas, os urubus aumentam, eles fazem o papel ambiental que caberia à sociedade. Para evitar que os urubus revirem lixos, o melhor a fazer é acondicionar o lixo da maneira correta, não deixando o alimento orgânico amostra ou facilmente visível. Não existe repelente ou outro bicho que espante os urubus. Em locais onde o aumento dos urubus foi diagnosticado é interessante a contratação de um biólogo para fazer uma inspeção técnica e estudar medidas que possam ser implantadas, para educar aquela população no acondicionamento do lixo ou outras ações que evitem atrair essas aves”.

Sobre o receio de alguns moradores que temem que os urubus possam espantar as aves pequenas da região, já que hoje o Litoral Norte é famoso por ser observatório de pássaros, o biólogo ainda esclarece: “Os urubus são aves pacíficas e vivem em harmonia com qualquer espécie animal (insetos, anfíbios, répteis, aves e mamíferos) ”.

Resposta das prefeituras do Litoral Norte

Procuradas pelo Portal Caiçara, as prefeituras do Litoral Norte enviaram as seguintes respostas, quando questionadas se existem medidas de controle de animais na cidade, especificamente os urubus, e quais providências são tomadas nesse sentido:

Ubatuba

“As pessoas transferem para os urubus a culpa que é delas, por armazenarem de maneira inadequada o seu próprio lixo. Há uma lei municipal que diz que todas as lixeiras aqui da cidade precisam ser fechadas e recuadas no muro (é um padrão municipal), mas infelizmente não conseguimos fiscalizar. Quem quiser denunciar lixeiras inadequadas pode ligar para (12) 3834-1531”, respondeu o secretário de meio ambiente de Ubatuba, Juan Blanco Prada.

Caraguá

“O Centro de Controle de Zoonoses faz o controle de cães, gatos, pombos, recolhimento de cavalos, etc., mas em especial para urubus não há nenhuma política específica, pois não se trata de espécie que cause um transtorno significativo. Esse animal não é vetor de nenhuma doença, portanto, o transtorno que o mesmo pode causar revirando o lixo depende muito mais da população, que deve adotar uma gestão correta dos resíduos domiciliares. Orienta-se que os resíduos sejam acondicionados de maneira que não extravasem a embalagem (não sobrecarregar o saco, fechar corretamente, separar objetos pontiagudos) e, principalmente, colocar o saco na lixeira próximo à hora da coleta evitando que o mesmo fique muito tempo exposto na rua”, respondeu Anderson Ribeiro, Diretor de Meio Ambiente.

Ilhabela

“A Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, informa que não recebe reclamações de moradores sobre lixo espalhado por urubus em áreas residenciais. Em alguns casos, como no Centro de Triagem de Ilhabela, na Água Branca – local onde o lixo é separado e triado pela equipe para o transbordo – alguns urubus sobrevoam a região em busca de alimento. Então, sem problemas neste aspecto em Ilhabela, a Prefeitura não realiza nenhuma política de controle no município”.

Ainda em Ilhabela, o Portal Caiçara obteve o seguinte depoimento do morador Manuel Batista Almeida, conhecido como Gutti, que há 27 anos está na cidade: “Não temos esse problema aqui em Ilhabela. A coleta do lixo é feita todo dia. Essa é uma cidade diferenciada, limpa mesmo, até vejo urubu, mas não nas praias, há muitas lixeiras”, explicou o morador do bairro Barra Velha.

São Sebastião

O Portal Caiçara entrou em contato com a Prefeitura de São Sebastião, mas até a seguinte data não recebeu nenhum retorno da administração.

Se você também deseja fazer uma denúncia sobre alguma situação que está acontecendo no seu bairro, entre em contato com o Portal Caiçara pelo e-mail: jornalismo@portalcaicara.com.br ou pela nossa página no facebook ‘Portal Caiçara’. Entraremos em contato com órgãos públicos e especialistas, e levaremos até você todas as respostas necessárias.

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